September 18, 2014

Da Fazenda ao País de Caruaru

img06O Brasil era ainda uma colônia e Pernambuco uma capitania. Os portugueses chegaram aqui no começo do século XVI para extrair, entre outras coisas, o pau-brasil, do qual se tirava excelente corante vermelho e uma madeira nobre, de boa resistência. Depois, foi o açúcar. A terra era muito rica, como bem disse Pero Vaz de Caminha. Para que essa riqueza não caísse em mãos erradas, dos franceses, por exemplo, o jeito foi colonizar. Navios e mais navios chegaram a terra e do litoral para a zona das matas, foi um pulo.

Nessa época, Caruaru não existia, era apenas um bom trecho de terra no caminho que ia até o sertão, habitado por índios.

Em 1754, registra o professor Josué Euzébio Ferreira, o filho de Simão Rodrigues de Sá, Simão Rodrigues Duro, casou-se com Antônia Thereza de Jesus, filha dos fundadores do sítio de Altinho. Tiveram três filhos: Joaquina Rodrigues de Jesus, José Rodrigues de Jesus e Maria Conceição de Jesus. Após a morte dos pais, os irmãos foram morar na fazenda Juriti, ficando a Fazenda Caruru abandonada.

Em 1776, José Rodrigues de Jesus decidiu voltar para a fazenda do pai, casando-se em 1781 com uma sobrinha, Maria do Rosário Nunes, filha de Manoel da Silva e Joaquina Rodrigues de Jesus, numa união que até hoje têm descendentes em Caruaru.
Pouco depois, a fazenda Caruru ganhava uma capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, e uma pequena povoação começou a se formar dentro do terreno pertencente à fazenda, sendo administrada por José Rodrigues de Jesus até a morte dele, em 1820, aos 64 anos de idade, sendo considerado o fundador de Caruaru, pois foi da fazenda dele que nasceu a cidade.

De Vila à Cidade

Caruaru228Caruaru se tornou cidade, a primeira do Agreste pernambucano, pelo projeto nº 20, do deputado provincial Francisco de Paula Baptista (1811-1881), defendido em primeira discussão em 03 de abril de 1857 e tornado realidade, depois de aprovação sem debate, em 18 de maio daquele mesmo ano, com a assinatura da Lei Provincial nº 416, pelo vice-presidente da província de Pernambuco, Joaquim Pires Machado Portela.

Ao longo das décadas, a cidade cresceu e a antiga Vila do Caruru hoje é conhecida por vários títulos, como “Capital do Agreste”, “Capital do Forró”, “Princesa do Agreste”, dentre outros, dando a dimensão da importância político-econômica no cenário estadual.

A cultura não é menos rica. Caruaru é um reconhecidamente um celeiro de artistas. Foi nessas terras que nasceram músicos, escritores, poetas e artesãos, como Vitalino, que projetaram o município para o mundo. Foi, ainda, em Caruaru que nasceram personalidades como os irmãos escritores Condé, além de Álvaro Lins e Austregésilo de Athayde. Até uma banda de pífanos feminina o município tem.

Tem, também, a maior festa popular em dias consecutivos do país, que é o São João de Caruaru, com cerca de 30 dias de festa ininterrupta. Na edição do evento, em 2009, um milhão e meio de pessoas brincaram o ‘Maior e Melhor São João do Mundo’, que pela autenticidade e espontaneidade da festa constitui um dos eventos mais conhecidos do país, também colaborando para o impulsionamento do turismo e economia locais. Tem Nossa Senhora das Dores por padroeira.

Origem

O nome tem origem ainda desconhecida. Uns acham que é uma referência ao substantivo Carruas, que significa fonte ou água que causava doenças no gado, outros acham que é uma corruptela da palavra Caruaru, que significa Rio dos Caruaras e alguns que o nome vem de uma planta chamada vulgarmente de Caruaru, que cobria um poço do Rio Ipojuca.

Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Caruaru, pela lei municipal nº 3, de 02-12-1892, subordinado ao município de Bonito. Elevado à categoria de vila com a denominação de Caruaru, pela lei provincial nº 212, de 16-08-1848, desmembrado de Bonito. Instalada em 16-09-1849. Elevado à condição de cidade e sede do município com a denominação de Caruaru, pela lei provincial nº 416, de 18-05-1857. Pela lei municipal de 15 de novembro de 1896 e lei municipal nº 3, de 02 de dezembro de 1892, é criado o distrito de Carapotós e anexado ao município de Caruaru. Pela lei provincial nº 133, de 02 de maio de 1844, é criado o distrito de São Caetano da Raposa e anexado ao município de Caruaru. Pela lei municipal 15 de novembro de 1907, é criado o distrito de Antônio Olinto e anexado ao município de Caruaru.

Em divisão administrativa referente ao ano e 1911, o município é constituído de quatro distritos: Caruaru, Carapotós, São Caetano da Raposa e Antônio Olinto.

Pela lei municipal nº 149, de 02 de dezembro de 1919, é criado o distrito de Trapiá e anexado ao município de Caruaru. No quadro de apuração de Recenseamento Geral de 1º de setembro de 1920, o município é constituído de cinco distritos: Caruaru, Antônio Olinto, Carapotós, São Caetano da Raposa e Trapiá.

Pela lei estadual nº 1931, de 11 de setembro de 1928, desmembra de município de Caruaru os distritos de São Caetano da Raposa e Antônio Olinto. Para formar o novo município de São Caetano, ex-São Caetano da Raposa.

Em divisão administrativa, referente ao ano de 1933, o município é constituído de três distritos: Caruaru, Riacho Doce (ex-Carapatós), e Riacho das Almas (ex-Trapiá).

Pelo decreto estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Riacho Doce voltou a denominar-se Carapotós. Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1950, o município é constituído de três distritos: Caruaru, Carapotós (ex-Riacho Doce) e Riacho das Almas. Pela lei estadual nº 289, de 30 de dezembro de 1953, confirmado pela lei estadual nº 1819, de 30 de dezembro de 1953, é criado o distrito de Gonçalves Ferreira e anexado ao município de Caruaru.

Pela lei municipal nº 271, de 15 de outubro de 1953, é criado o distrito de Lajedo do Cedro e anexado ao município de Caruaru. Pela lei estadual nº 1818, de 30 de dezembro de 1953, desmembra do município de Caruaru, o distrito de Riacho das Almas. Elevado à categoria de município.
Em divisão territorial, datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído de quatro distritos: Caruaru, Carapatós, Gonçalves Ferreira e Lajeto do Cedro.

Bandeira de Caruaru

Obra do professor Amaro Matias, instituído como símbolo oficial em 13 de maio de 1972, o pavilhão de Caruaru tem fundo tricolor verde, branco e vermelho, sendo o verde-esmeralda um agradecimento à fertilidade da terra, o branco, uma celebração da paz, e o vermelho, um símbolo da coragem do seu povo.

O escudo, que fica ao centro, é repleto de simbolismo. O triângulo em azul representa a lealdade do povo, com o sol significando majestade, abundância e riqueza da terra. A faixa em amarelo fala da nobreza, com uma cruz em vermelho, símbolo da fé cristã. Abaixo, o triângulo em vermelho, cor da coragem e destemor, traz um ramo de avelozes, em homenagem ao fundador José Rodrigues de Jesus. Em cima, uma coroa de fortalezas lembra as lutas pelo progresso e soberania da cidade, que lhe renderam a fama de “Princesa do Agreste”.

As datas que se vêem na faixa amarela, abaixo do escudo, referem-se ao dia da criação do município (1848) e a da elevação à categoria de cidade (1857). Ladeando essa faixa, um ramo de louro (considerada a planta símbolo dos campeões desde a Grécia Antiga), lembra as vitoriosas batalhas travadas pelo desenvolvimento econômico da cidade. A bandeira deve ficar hasteada nas repartições públicas municipais em dias de festa ou de luto.

(Fonte: Prefeitura de Caruaru/IBGE)

Início da cidade

No início do século XVII, segundo a tradição local, constituía a área da atual cidade de Caruaru uma grande fazenda de gado. Até hoje, não está rigorosamente estabelecida a origem do topônimo. De acordo com Teodoro Sampaio, a palavra Caruaru, substantivo composto de caruar e u, significa aguada das caruaras, alusão feita à fonte ou água que na localidade pernambucana produzia moléstia que ataca os rebanhos, ocasionando inchação e paralisia das pernas. O vocábulo caruara (caruuara), com vários significados quase todos, porém, associados a entidades mórbidas, encerraria assim o étimo de que se derivou a denominação consagrada pelo uso popular.

A definição do mestre baiano acompanha, de certo modo, a que foi dada pelo historiador e folclorista pernambucano Alfredo de Carvalho, para o qual a palavra caruaru era corruptela de caruari, significando rio das caruaras. Outra versão faz derivar o topônimo do nome de uma planta vulgarmente conhecida por caruru e que outrora cobria um poço na margem do rio Ipojuca, em local que, por isso, passou a ser denominado Poço ou Sítio do Caruru. Por acréscimo de uma vogal, o nome teria alterado para caruaru.

Os donos daquelas terras constituíam a família dos “Nunes dos Bezerros”, assim denominada em virtude da curta distância entre a fazenda e a Paróquia dos Bezerros. Admite-se que os Nunes eram remanescentes dos primitivos concessionários daquelas terras, quando foram distribuídas como sesmarias. Os Nunes abrigavam um casal de órfãos. O menino, José Rodrigues de Jesus, foi mais tarde o fundador de Caruaru.

Em virtude de desentendimento com a família, José Rodrigues apossou-se das terras que lhe pertenciam por herança, a Este e a Sudeste, da Fazenda dos Nunes. Com 20 anos já era senhor poderoso e residia com a mulher dele, D. Maria do Rosário de Jesus, numa boa vivenda, a Casa Grande, no local denominado Caruaru, onde, sob a invocação de N. Srª da Conceição, aí construiu uma capela, que passou a ser ponto de convergência de novos moradores, iniciando-se assim o povoado.

Dessa capela utilizaram-se os moradores até 1846, quando o missionário Frei Euzébio de Sales, Capuchinho da Penha, iniciou a construção da Igreja Matriz, hoje Catedral. Reconstruída duas vezes, a última em 1883, a capelinha ganhou o sino que ainda hoje ali se vê, o maior “exvoto” do lugar, promessa de Francisco Gomes de Miranda Leal, que fez transportar a oferenda em lombo de animais, de Tapera a Caruaru, onde a população a recebeu com imenso júbilo .

Em dezembro de 1895, foi inaugurada a estação ferroviária da “Great Western” que ligou Caruaru ao Recife e constituiu, então, importante fator de progresso no Município.

DATAS IMPORTANTES PARA A CIDADE

1857 – A lei provincial nº 416 de 18 de maio, promoveu Caruaru a categoria de Cidade. O coronel João Vieira de Melo e Silva cria a banda de música “Conservadora Caruaruense”, mais tarde chamada de “Nova Euterpe” e surgiu uma outra alguns anos depois chamada “Banda Liberal Caruaruense”, que também mudou de nome para “Banda Comercial”.

1867 – A lei provincial de nº 720 a eleva a categoria de comarca, de 1a. entrância (12/10/1867), 2a. entrância (1872) e 3a. entrância (1956).

1876 – Epidemia mata muitos caruaruenses (1 a 2% da população morria diariamente). Construído o cemitério de São Miguel.

1883 – Fundação do Clube Literário (Tte. José Francisco Paes Barreto) e da Sociedade Dramática (Dr. Arthur da Silva Rego).

1895 – Estação Ferroviária. A primeira máquina do trem tinha o nome de Barbosa Lima Sobrinho, governador de Pernambuco. O prefeito Neco Porto (Manuel Rodrigues Porto) abre as portas do Paço Municipal (atual palácio do Bispo) e oferece sarau dançante ao governador, familiares e convidados em ambiente iluminado por luz elétrica.

1896 – Fundada a Pharmacia Franceza de Jean Peugeot, adquirida mais tarde por Sinval de Carvalho (major Sinval) figura histórica caruaruense.

1898 – Construídos os prédios da Prefeitura (governo de Neco Porto) e a Cadeia pública. Nasce Belarmino Maria Austregésilo de Ataíde (Austregésilo de Ataíde) que foi presidente da Academia Brasileira de Letras de 1959 até a sua morte em 1993.

1899 – Primeiro Jornal caruaruense, do major Dandinho, comprado por Neco Porto que mudou seu nome para “O Caruaruense”, contemporâneo do “Cinco de Novembro” de João Guilherme de Pontes

1902 – Capela do Monte Bom Jesus. Em 19 de abril também foi inaugurado o Theatro Municipal, construído por Neco Porto. Foi erigida em 1901 no topo do Morro Bom Jesus como capela, sendo o material da construção carregado ao ombro pelo próprio povo da cidade.

1908 – Inauguração do Cosmorama (projeção de paisagens européias)

1910 – Fundação do Sport Club Caruaru, cujo presidente foi o Dr. Homero Galvão;

1912 – Nasce Álvaro Lins, crítico, jornalista, escritor e professor (morre em 1970);

1914 – A barragem do Paredão foi destruída por uma cheia no Bairro do Riachão.

1915 – Fundação do Central Esporte Clube (preto e branco) pelo comendador José Victor de Albuquerque;

1918 – Fundação do Sport Club Caruaruense (vermelho e preto)

1920 – Associação Comercial de Caruaru, do Colégio das Freiras (mais tarde Sagrado Coração), do Açougue Público (pelo prefeito Celso Galvão)

1924 – Praça Sérgio Loreto e Mercado de Farinha

1925 – Praça José Bezerra

1926 – A Coluna Preste e Pernambuco

1927 – Cassino Caruaruense, onde mais tarde funcionou o Clube Intermunicipal;

1932 – Jornal Vanguarda (fundado por José Carlos Florêncio) e Caruaru Tênis Clube

1934 – Ginásio de Caruaru, por Dr. Luís Pessoa da Silva, mais tarde colégio Diocesano.

1937 – O Central ingressa no campeonato pernambucano de futebol.

1939 – Hospital São Sebastião (idealizado pelo médico Dr. Silva Filho.
- Inaugurado o Clube Intermunicipal (foto abaixo).

1957 – Centenário de Caruaru (18 de maio)
- Ainda em maio, é inaugurada a Casa de Saúde Bom Jesus.

1972 – o primeiro cinema exibe “Ele e as três noviças” com Elvis Presle (Elvis Presley).

Hino de Caruaru